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“Em que tipo de negócio realmente estamos?”, essa foi a reflexão inicial do professor de Harvard, Theodore Levitt em um artigo publicado na Harvard Business Review. Na publicação, o docente estimulava executivos a se adaptarem, mencionando indústrias que não conseguiram se adaptar por terem definido seu negócio de forma equivocada.

Apesar de ser estimulante buscar novas ideias observando as startups, o que ocorre é que as empresas dificilmente alcançam o sucesso através da adaptação aos eventos do mercado. As empresas de sucesso chegam nesse patamar por conseguirem criar um novo futuro. E a pressa não tem nada a ver com isso, é preciso anos de preparo. Quando chega um momento em que é preciso se adaptar, provavelmente já é tarde demais.

O caso Google:

A agilidade deu fama ao Google. Dessa forma, quando o Facebook apareceu como rival de peso, foi previsível que essa poderosa empresa de buscadores tentasse ocupar o mesmo espaço. Foram lançados o Google Wave, Google Buzz e até Google+. Mas nenhum deles conseguiu o mesmo sucesso. O público não muda para sua direção pelo fato de você se mover rapidamente.

A Google prospera mesmo assim, continuando como uma das empresas mais valiosas do mundo. O universo de inovação que ela construiu mostra isso claramente. Os investimentos são maciços em pesquisa, e garantem projetos promissores na divisão Google X. Além disso, ela também publica constantemente em seu blog e em revistas científicas abertas. Grandes acadêmicos são convidados para passar períodos na empresa, acessando os impressionantes dados da empresa e, ao mesmo tempo, acrescentando conhecimentos à tecnologia do Google.

Esses novos conhecimentos acabam criando novos produtos, como é o caso dos carros autônomos. Mesmo assim, a parte mais considerável do capital é reinvestida no negócio principal. Parece muito conservador, mas é altamente rentável.

O caso Microsoft:

A Microsoft, por exemplo, não foi bem sucedida na adaptação à computação móvel. No lançamento do Iphone, Steve Ballmer (CEO da empresa na época), afirmou: “Não há nenhuma possibilidade do Iphone conseguir qualquer quota relevante no mercado”. Após isso, as tentativas de se adaptar às novidades da Apple foram fracassadas.

No entanto, a interpretação errada do mercado não levou a Microsoft à falência. Muito pelo contrário, as receitas da empresa cresceram em uma taxa anual de aproximadamente 10%, com margens de lucro de cerca de 30%. Algo admirável.

Observando os negócios da nuvem da Microsoft, é possível entender o motivo. Informações da própria empresa revelam que eles crescem a uma taxa anual de 100%. O motivo não é uma iniciativa nova, mas sim um resultado direto de antigos servidores e instrumentos de negócios que a Microsoft já desenvolvia há mais de 10 anos.

É possível concluir, que a Microsoft não é uma empresa ágil. Porém, ela investe na divisão de pesquisa há mais de 20 anos. Quando a capacidade de uma empresa é construída com décadas de antecedência, a velocidade, definitivamente não é tão necessária.

uma-empresa-de-sucesso-precisa-de-preparaçãoHá uma superestimação da agilidade

É claro que ser ágil é muito vantajoso, a Apple, por exemplo, dominou as categorias de tablet e smartphone, mesmo sem tê-las inventado. A Amazon também não foi pioneira em vender livros pela internet. Essas empresas alcançaram o sucesso por desenvolverem produtos indiscutivelmente melhores que os produtos dos concorrentes, porém elas não precisaram ser mais rápidas.

Criar o futuro, ao invés de se adaptar a ele, é uma marca das empresas realmente importantes. A dedicação à criação, entrega e busca de novos valores no mercado são os fatores que as tornaram grandes empresas, e não sua capacidade de “se virar”. Empresas que permanecem no auge são aquelas que passam anos elaborando a nova geração de produtos.

A frase de Theodore Levitt é emblemática: “As pessoas não querem comprar uma broca de um quarto de polegada, elas querem um buraco de um quarto de polegada”. Fica claro que um tipo específico de produto não define uma empresa, e sim a capacidade que ela tem de resolver problemas para seu público-alvo. E andar mais rápido não ajuda a resolver problemas realmente complicados. As grandes do mercado preparam o terreno com anos de antecedência.

Fundador da About Grow. Cria estratégias de Marketing Digital com base no Inbound, desenvolve websites e e-commerces, participa dos processos de criações gráficas, escreve artigos e estuda Data Science e Big Data. Apaixonado por empreendedorismo.

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