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De um Mercado de “família” para um de Cliente.

O que aconteceu com a noite carioca? A noite mais famosa do Brasil, em que Cazuza bebia na Guanabara e Vinicius recebia ligações de Sinatra na Montenegro.
O charme e o acolhimento de um mercado que acabou perdendo seu espaço para um profissionalismo frio e sem carioquice!

Irei discorrer um pouco aqui desse mercado. Causas e efeitos que fazem os mais jovens de hoje não saberem o que era uma noitada no Rio de Janeiro, mais especificamente na Zona Sul, onde éramos mais uma família do que simples clientes.

Como era:

Aqui no Rio tinha programação certa e você poderia diversificar sabendo sempre o que rolava e o que poderia encontrar.

O leque de opções era grande e as tribos se misturavam.

Pedindo perdão de datas específicas tínhamos:

Baronetti, Prelude, Guapo Loco, Bombar, Melt, Kozumel, Crystal, Sky Lounge, boox, Nuth, The bedroom, Mariuzinn, The joker, Patio Lounge, Bunker…

E em uma geração anterior a minha era: Hippopotamus, Bibos, El Turf, Resumo da Ópera, Banana Café, Maxims, Fã Club, WellsFargo, Circus, e por aí vai…

A questão era que tinham várias boates abertas todo dia ou fins de semana prontas para serem curtidas por qualquer um que chegasse e entrasse. Você poderia chegar em um fim de semana sem pretensão nenhuma e as 02 da manhã resolver sair pra ir beber, encontrar amigos ou conhecidos e curtir até as 5 ou 6 da manhã.

Fora as casas já abertas sempre e esse leque de oportunidades a qualquer hora, ainda tinham os sites como Night Rio, Tá em todas, a boa da noite e outros que não me recordo agora. Lá você saberia que tipo de festa estaria rolando e em qual “night” ela estaria.

Como funcionava:

Os empresários abriam uma casa noturna e contratavam promoters! Isso, promoters.

Esses promoters eram contratados para promover a casa e chamar pessoas para curtirem a noitada do local em um dia específico. O primeiro a fazer isso no Rio foi Ricardo Amaral, deixando uma série de discípulos que levariam esse legado aqui por décadas.

A derrocada do modelo:

O problema foi o seguinte: Os promoters ganhavam uma porcentagem da entrada e outra do bar, e o dono ficava com o restante e bancava toda a estrutura e funcionários. Os donos iam bem, até que surgiam problemas trabalhistas e processos burocráticos, além de processos de frequentadores por algum problema é por aí vai. Acabavam baixando a porcentagem dos promoters, que eram quem lotavam as casas.

Nisso, com o tempo, o que esses promoters perceberam? Que fazendo uma festa fora da casa, bancando toda a estrutura, terceirizando todo mundo e ficando com 100% da entrada e bar, poderiam ganhar mais que sendo promoters das casas noturnas.

Resumo rápido:

As casas faliram e os promoters agora viraram produtores de eventos e só fazem festas em locais diferentes toda hora.

Resultado:

Um céu de brigadeiro para esses antigos promoters. Hoje você precisa saber com quase UM MÊS antes a festa que você vai, comprar com antecedência, ir cedo e ficar somente lá! É isso!

Olha que maravilha para os produtores: Risco baixo e previsibilidade de público e de caixa altíssimo. Você é obrigado a comprar antecipado se não, a probabilidade de conseguir entrar é quase nula!

A perda da espontaneidade:

Não existe mais aquela decisão do momento, aquela animação espontânea que te levava para as noitadas mais despretensiosas que acabavam sendo as mais memoráveis.

Você poderia ir de uma noitada pra outra e parar na que colasse mais com você ou que encontrasse aquela galera certa!

A pós:

No fim, todos se encontravam no baixo Leblon, na Guanabara ou naquele quadrilátero mesmo.

Todos se encontravam FISICAMENTE depois de TODAS as noitadas. Lá era praticamente mais uma noitada!

Agora você só fica sabendo pelas mídias sociais onde os outros foram…

A impessoalidade:

HOJE chegará em um lugar que você não conhece, com seguranças que você nunca viu e pedirá bebidas para um garçom que provavelmente você nunca mais verá.

Naquelas antigas noitadas sabíamos os nomes dos seguranças, dos garçons, dos gerentes… de todos.

Não sei se antes era melhor que agora, e confesso que hoje parece mais profissional, organizado e seguro que antes… mas é que antes era uma família da noitada carioca, aberta todos os dias e pronta pra te receber!

Ah… que saudade!

Rafael Ponzi

Publicitário, CEO da RPMR Marketing e Eventos. Apaixonado por políticas sociais e entusiasta do empreendedorismo, está disposto a fazer a diferença no cenário carioca com seus projetos.

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